Covid-19 e meio ambiente – impacto ambiental e social dos tecidos

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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), por meio de sua Unidade Especial de Saúde Sustentável (UESS), publica nesta terça-feira, 30, a terceira matéria da série sobre a Covid-19 e o meio ambiente, mostrando alguns desafios e caminhos para melhorar a sustentabilidade do planeta pós-pandemia. Veja as matérias anteriores desta série:
Covid-19 e mudanças climáticas – momento decisivo para transformações (23/06)
Covid-19 e Meio Ambiente: uma oportunidade de transformação (16/06)

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O avanço do novo coronavírus tem deixado claras as relações entre as ações da sociedade e suas consequências, tanto na disseminação da doença quanto, na questão ambiental, ao desequilíbrio de ecossistemas. Portanto, é necessário aproveitar este tempo de pandemia, aliado aos primeiros dias de inverno no Brasil, para refletir e praticar hábitos mais sustentáveis. Que tal olhar, por exemplo, para as roupas, e pensar como elas são produzidas e o seu impacto ambiental?

Estudos afirmam que a indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo e, portanto, apresenta um grande impacto ambiental. “Os tecidos são tingidos com petroquímicos e, durante a produção e consumo, cerca de 10% destes corantes são descartados em efluentes, causando diversos problemas ambientais. Além disso, 23% dos agrotóxicos, pesticidas e herbicidas produzidos no mundo são usados na indústria têxtil, bem como a geração de 10% das emissões globais de gás carbônico, sem contar o gasto de água, energia e transporte envolvidos no processo”, explica Renata Camargo, funcionária da UESS do HC.

Como o HCFMB ameniza este impacto? O Hospital utiliza muitas roupas e tecidos para os pacientes e seus profissionais e, com o tempo, elas se desgastam e ficam inservíveis. Pensando na Agenda 2030 da ONU e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a Comissão da UESS e o Departamento de Compras, Abastecimento e Infraestrutura, sob a coordenação de Patrícia Moratelli realizaram uma parceria com uma empresa privada para o descarte sustentável destes tecidos. “Tínhamos um volume muito grande estocado, que não queríamos mandar simplesmente para o aterro sanitário da cidade. A empresa desenvolveu um pano ecológico que vai para a limpeza industrial, leve ou pesada. Em março deste ano, foram encaminhadas 12 toneladas de tecido inservível, em dois fretes e sem custo adicional”, afirma Prof.ª Karina Pavão, Coordanadora da UESS do HC.

Que tal separar aquela peça que não serve mais para uma doação?

Atualmente, existem muitos sites e Organizações Não-Governamentais (ONG’s) que trabalham de diversas formas para receber roupas que não servem mais, sendo que alguns calculam a contribuição para a pegada de carbono. Esta doação ou a compra de roupas usadas contribuem para que os objetivos da Agenda 2030 sejam alcançados.

“A moda sustentável envolve a produção sustentável por parte das empresas e o consumo sustentável, sendo o comportamento dos consumidores fundamental para o desenvolvimento deste novo conceito de moda. A sociedade consumidora deve estar bem informada sobre os impactos ambientais e sociais da fabricação, do consumo e do descarte das peças”, afirma Prof.ª Karina.

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Você já comprou alguma roupa usada? Já doou roupas? Já transformou uma peça de roupa em outro produto? Já se questionou quais tipos de tecidos são mais poluentes? Participe da Campanha do Agasalho de sua cidade ou comunidade. O Serviço Social do HCFMB também recebe doações de roupas e sapatos que são destinados a diversos pacientes e acompanhantes. Faça a sua parte!

Links importantes: sites Agenda 2030, Repassa e Ficou Pequeno; vídeo Os Impactos ambientais da indústria da moda – Menos 1 Lixo

Referência bibliográfica (em inglês):
DILARRI, G.; DE ALMEIDA, É. J. R.; PECORA, H. B.; CORSO, C. R. Removal of Dye Toxicity from an Aqueous Solution Using an Industrial Strain of Saccharomyces Cerevisiae (Meyen). Water, Air, & Soil Pollution, v. 227, p. 269, 2016.

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