HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO

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O hipotireoidismo congênito representa uma das causas mais frequentes de retardo mental, que pode ser prevenida com o diagnóstico precoce e tratamento adequado. A prevalência é de aproximadamente 1:3.500. Em crianças com Síndrome de Down a prevalência tão alta quanto 1:141 nascidos vivos. A razão entre os sexos é de um afetado do sexo masculino para 2,3 do sexo feminino.

Sintomas
Na criança normal, o eixo hipotálamohipófise-tireoide fetal começa a ter atividade a partir da 12ª semana de vida intrauterina, porém quantidades significantes do hormônio tireoidiano só serão detectadas no soro fetal por volta da 20ª semana de gestação. Imediatamente após o parto, ocorre elevação abrupta do TSH no recém-nascido, possivelmente, em resposta à menor temperatura exterior, porém nos prematuros, esta resposta é menor e inversamente relacionada ao grau de prematuridade. O diagnóstico clínico do hipotireoidismo no período neonatal é raramente feito ao nascimento. Isto porque ocorre a passagem placentária do T4 materno em quantidades suficientes para proteger a criança afetada das consequências graves da deficiência de T4 no período intra-útero. Se não forem realizados o diagnóstico e o tratamento adequado, além das alterações descritas acima, haverá atraso no crescimento e no desenvolvimento neuromotor e retardo mental em graus variados.

Tratamento
A administração de levo-tiroxina Sódica (L-T4) e a dose média a ser utilizada é de 10-15 µg/kg/dia. Somente comprimidos de tiroxina deverão ser utilizados, porque não existe aprovação de soluções líquidas do hormônio. Os comprimidos deverão ser macerados e dissolvidos com pequena quantidade de leite ou água e administrado à criança. As doses deverão ser reajustadas de acordo com a resposta da clínica ao tratamento e dosagens séricas dos hormônios da tireoide.

As crianças deverão ter supervisão médica frequente durante os 3 primeiros anos de vida. As concentrações séricas dos hormônios tireoidianos deverão ser realizadas: após 2 e 4 semanas do início do tratamento; a cada 1 a 2 meses no primeiro ano de vida; a cada 2 a 3 meses entre o 1º e o 3º anos de vida; a cada 3 a 12 meses até que o crescimento se complete; ou em menores intervalos, quando não existe boa aderência ao tratamento ou concentrações alteradas dos hormônios são obtidas. Recomenda-se que as crianças afetadas sejam avaliadas periodicamente por um psicólogo treinado e façam a avaliação audiométrica nos primeiros 2 meses de idade pois a prevalência de déficit auditivo é 10 vezes maior nas crianças com hipotireoidismo.

Prevenção
O diagnóstico clínico do hipotireoidismo no período neonatal é raramente feito ao nascimento. Isto porque ocorre a passagem placentária do T4 materno (hormônio secretado pela tireoide) em quantidades suficientes para proteger a criança afetada das consequências graves da deficiência de T4 no período intra-útero. Se não forem realizados o diagnóstico e o tratamento adequado, haverá atraso no crescimento e no desenvolvimento neuromotor e retardo mental em graus variados. A triagem neonatal deverá ser realizada em recém-nascido entre o 3o e o 6o dias de vida ou até o 5o dia. O teste consiste na realização da dosagem do TSH e/ou T4Total (T4T) em amostras de sangue s retiradas do calcanhar do recém-nascido (teste do pezinho). De um modo geral quando o resultado vier alterado solicita-se que a criança compareça para consulta clínica e os testes de função tireoidiana deverão ser realizados em amostras de soro.

Texto elaborado pela Dra. Célia Regina, Endocrinologista

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