Setembro verde: a vida merece continuar

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O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O país é o segundo maior transplantador mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo assim, mais de 33 mil pessoas esperam por um transplante de órgão ou tecido.

Segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) de 2018, o índice de recusa familiar na hora de doar os órgãos dos pacientes já falecidos chega a 43% no país. Em São Paulo, o percentual é de 36%.

Para ajudar a mudar este cenário, conscientizar sobre a importância da doação de órgãos e principalmente aumentar o número de doadores, a campanha Setembro Verde é realizada nacionalmente todos os anos.  A iniciativa é promovida em alusão ao Dia Nacional de Doação de Órgãos, lembrado em 27 de setembro. O objetivo é informar e esclarecer a população para a tomada de decisão em se tornar doadora de órgãos e tecidos.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (HCFMB) é o terceiro centro transplantador do Estado e o primeiro do interior. Atua não só na captação de órgãos, mas também na distribuição aos centros competentes; além da realização de transplantes, como rins, coração, fígado, córneas, entre outros.

Paulo Contrucci

Já a Organização de Procura de Órgãos do HCFMB é responsável por diagnosticar potenciais doadores de órgãos e tecidos, organizar e apoiar o processo de doação e transplantes em cerca de 50 municípios da nossa região e em alguns casos, até de outros estados.

Paulo Contrucci Ferreira, 71, passou por um transplante hepático no HCFMB no mês de agosto. Hoje, se recupera em casa, mas continua seu acompanhamento no Hospital. “Momentos desafiadores como este nos mostram que sim, podemos contar com pessoas comprometidas com o próximo, que nos envolvem com ânimo e esperança”, disse.

Dr. Laércio Martins

Para o coordenador da OPO do HCFMB, Dr. Laércio Martins, a questão da doação de órgãos deve ser amplamente divulgada. “Muitas vezes, a pessoa não manifesta seu desejo de ser doador de órgãos. É importante esclarecer que, apesar do momento difícil da perda do ente querido, a ação salva muitas vidas. O Setembro Verde é uma ótima maneira de disseminar a informação sobre doação”, explica.

 

Felícia Barbosa

Felícia Maria Barbosa, 52, se recupera muito bem de um transplante cardíaco realizado no HCFMB há um mês, o quarto procedimento feito pela instituição. “Peço a Deus que abençoe a família do doador, que mesmo em um momento difícil, optou por salvar uma vida – a minha. Após uma longa espera, estou muito feliz e agradecida por ter a oportunidade de viver uma nova vida”, disse.

Para ser um doador de órgãos, a pessoa deve manifestar seu desejo à família e pessoas mais próximas. Para um transplante de órgãos, só importa a compatibilidade entre o doador e as várias pessoas que esperam por um coração, fígado ou rim, por exemplo. São vidas que dependem de outras.

 

Programa de Transplantes do HCFMB

Ao longo dos anos, o programa de transplantes do HCFMB consolidou o Hospital como referência em casos de alta complexidade. Além de promover a capacitação dos profissionais, trouxe ao HC mais recursos, tecnologia de ponta e possibilitou o trabalho em conjunto das equipes envolvidas nos transplantes de rim, fígado, coração medula óssea autólogo e córneas. Ao todo, cerca de 200 transplantes são realizados por ano no HCFMB.

Em 2018, o HCFMB recebeu autorização do Ministério da Saúde para realizar transplantes cardíacos. A portaria que credencia o hospital a fazer este tipo de procedimento foi publicada na edição de 10 de outubro de 2018 no Diário Oficial da União (DOU). Em 2019, quatro transplantes já foram realizados.

O Programa de Transplante Renal tornou-se serviço de referência não só no Estado de São Paulo, mas em todo Brasil. Atualmente, cerca de 130 transplantes renais são realizados por ano no HCFMB.

Embora tenha sido reiniciado em 2010, o Programa de Transplante Hepático consolidou-se somente a partir de 2015, com a parceria estabelecida entre o HCFMB e o Serviço de Transplante Hepático do HC da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, são realizados cerca de 10 transplantes ao ano, com bons resultados a curto, médio e longo prazo.

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