Após 20 anos de estudos, soro contra picada de abelhas é testado no HCFMB

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Os acidentes causados por abelhas afetam mais de 10 mil pessoas todo ano no Brasil. Oficialmente, são registrados 40 óbitos por ano, mas estimativas apontam que esse número pode ser quatro vezes maior.

O projeto do soro antiapílico, iniciado há 20 anos, foi realizado com a pesquisa básica para chegar ao produto. Em 2013, iniciou-se o Estudo APIS, o ensaio clínico para testar o soro em humanos. Esse soro é fruto de muito trabalho do Cevap (Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos) e do Instituto Vital Brasil, em conjunto com os infectologistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). O produto foi entregue em 2013 à Infectologia do HCFMB e a Upeclin (Unidade de Pesquisa Clínica) da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) para ser utilizado em pesquisa clínica.

O infectologista do HCFMB Dr. Alexandre Naime Barbosa explica sobre o estudo. “O objetivo principal é verificar a segurança do produto, ou seja, analisar se ele não causa eventos graves, que possam comprometer o seu benefício. O objetivo secundário é verificar a eficácia, se ele protege e evita mortes em pacientes com múltiplas picadas de abelhas”, diz.

A primeira paciente do HCFMB a usar o soro antiapílico foi Camila Aguillar Pezotto Peres, de 32 anos. Camila foi picada por cerca de 400 abelhas, em Avaré, onde mora em uma área rural. “No Pronto Socorro de Avaré, soube do estudo e fui encaminhada ao HCFMB. Depois de receber o soro, minha melhora foi nítida, e em três dias eu já não apresentava mais sintomas. O tratamento foi excelente, não acredito que tenha outro melhor. Tenho certeza que esse soro salvou minha vida”, diz.

As mortes por picadas de abelha podem ocorrer por dois fatores. Um deles é o envenenamento pela peçonha da abelha, o que ocorre quando o número de picadas é maior que 200. “Neste caso, o volume de veneno é suficiente para causar graves lesões em órgãos vitais. O tratamento se limita ao suporte avançado de vida, esperando que o organismo elimine o veneno, o que muitas vezes não basta, e justifica os óbitos registrados”, explica Naime.

Outro fator é a anafilaxia. Algumas pessoas são alérgicas ao veneno de abelhas e uma simples picada pode levar a um grave quadro de alergia generalizada ou mesmo levar a óbito. Nesses casos, as consequências não têm relação com a toxicidade do veneno, pois a peçonha foi inoculada em pequena quantidade e o tratamento se limita as medidas para inibir a anafilaxia, como drogas antialérgicas.

A aplicação do soro tem o objetivo de neutralizar a melitina, que é o principal composto tóxico do veneno das abelhas, impedindo a ação de destruir músculos e rins. Os resultados dessa primeira aplicação serão avaliados em conjunto no final do estudo, após recrutar 20 pacientes, em dois anos.

 

Vivian Abilio – Assessoria de Imprensa do HCFMB via 4toques Comunicação

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