Doença mão-pé-boca: o que precisamos saber?

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Nos últimos dias, muito se ouviu falar sobre a doença mão-pé-boca (HFMD, sigla em inglês), uma doença contagiosa causada pelo vírus Coxsackie, que habita no sistema digestivo e também pode provoca estomatite, espécie de afta que afeta a mucosa da boca. Embora possa acometer adultos, é mais comum na infância, antes dos cinco anos de idade.

Como os pequenos costumam colocar as mãos e os brinquedos na boca e nem sempre têm o hábito de lavar as mãos depois de ir ao banheiro, o vírus se dissemina mais facilmente. A transmissão ocorre através do contato direto com saliva, fezes e outras secreções, e também indiretamente por alimentos ou objetos contaminados. Para evitá-la, é importante manter a higiene: lavar sempre as mãos depois de ir ao banheiro e antes de comer ou de preparar refeições.

Segundo a pediatra e responsável pelo Pronto Socorro Pediátrico (PSP) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) Dra. Débora Penatti, os sintomas da mão-pé-boca são leves, e podem ser confundidos com os de um resfriado comum. “Em geral, como ocorre com outras infecções por vírus, ela regride espontaneamente depois de alguns dias. Por isso, na maior parte dos casos, o tratamento é feito com antitérmicos e anti-inflamatórios. Os medicamentos antivirais ficam reservados para os casos mais graves”, explica Dra. Débora.

O PS Pediátrico do HCFMB tem tratado casos da doença mão-pé-boca frequentemente em sua unidade. Dra. Débora orienta que, caso a criança apresente os sintomas, um pediatra deve ser consultado. “O médico pode diagnosticá-la corretamente e indicar o melhor tratamento”, diz.

Crianças infectadas podem espalhar o vírus mesmo que não tenham sintomas, que continua presente nas fezes por semanas após o tratamento. A gestão escolar poderá decidir junto com os pais o afastamento da criança das atividades, já que o cuidado desta criança comprometer o cuidado das outras da mesma turma.

Sinais característicos da doença mão-pé-boca:

– Febre alta nos dias que antecedem o surgimento das lesões;

– Aparecimento na boca, amídalas e faringe de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro que podem evoluir para ulcerações muito dolorosas;

– Erupção de pequenas bolhas, em geral nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, mas que podem ocorrer também nas nádegas e na região genital.

A transmissão se dá pela via fecal/oral, através do contato direto entre as pessoas ou com as fezes, saliva e outras secreções, ou então através de alimentos e de objetos contaminados.

Tratamento

O tratamento é direcionado para o alívio dos sintomas sem a necessidade de medicamentos antivirais. Analgésicos e antitérmicos via oral e pomada anestésica no local das ulcerações amenizam a dor e a febre. Como as aftas dificultam a ingestão de alimentos e bebidas, é preciso oferecer alimentos de fácil deglutição, como papinhas e sopas. O ideal é evitar alimentos ácidos, muito temperados e quentes. As bebidas também devem ser frias para aliviar o desconforto e podem ser ingeridas com a ajuda de um canudo para diminuir o contato com as feridas.

 

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