HC de Botucatu tem estrutura pronta para diagnosticar e tratar doenças causadas pelo Aedes aegypti

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A infectologista Letícia Kurozawa e a enfermeira Ivana Gonçalves (Núcleo de Comunicação HCFMB)

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) já tem estabelecido o protocolo de atendimento para pessoas com suspeita de contaminação pelo Zika Vírus. De acordo com a coordenadora médica do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE), Letícia Lastória Kurozawa, o HCFMB já vinha se preparando desde outubro de 2015, juntamente com a Secretaria Municipal da Saúde, para estabelecer protocolo para monitoramento da dengue. “Fizemos reuniões semanais com a Secretaria Municipal de Saúde para diminuirmos os focos e os casos de dengue”, conta.

A enfermeira do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), Ivana Gonçalves, explica que a dengue continua preocupando, pois os números ainda são. alarmantes. Somente o Hospital das Clínicas confirmou 431 casos no ano passado. “O Núcleo Hospitalar de Epidemiologia busca priorizar as ações de educação e manejo da doença. Neste ano já estivemos em todos os serviços de emergência relacionados ao Hospital das Clínicas realizando treinamento prévio com material do Ministério da Saúde”, esclarece. Com o surto de Zika vírus, as entidades formularam, também baseadas nas orientações do Ministério da Saúde (MS), o protocolo para diagnóstico e controle também dessa doença.

Quando os primeiros casos de Zika vírus foram diagnosticados, foi montado pelo CRIE um protocolo de atendimento para pacientes com suspeita da doença em parceria com os serviços de Moléstias Infecciosas, Neonatologia, Obstetrícia, Patologia, Hemocentro e Laboratório Clínico. Conforme o protocolo, a pessoa com suspeita de infecção pelo Zika vírus atendida em uma unidade de saúde pública poderá ser encaminhada ao HCFMB para avaliação especializada pela infectologia, bem como investigada pelo Núcleo Hospitalar de Epidemiologia”, explica a especialista. O exame para detecção de contaminação pelo Zika vírus deve ser feito na fase aguda da doença, pois é realizado por meio do isolamento viral, que é a fase da doença em que os vírus podem ser detectados no sangue.

Letícia faz questão de salientar que esse mesmo fluxo é direcionado ao atendimento das gestantes com suspeita de infecção pelo Zika vírus bem como aos casos de microcefalia possivelmente associados ao vírus. Ela também assegura que o Ministério da Saúde orienta que, ao menor sintoma suspeito em gestantes, todos os exames devem ser feitos para excluir a hipótese de diagnóstico positivo para Dengue, Febre Chikungunya e infecção por Zika vírus.

“Quando somos acionados pela equipe que está acompanhando um paciente com suspeita de infecção pelo Zika vírus, vários profissionais são mobilizados. É necessário o acompanhamento intensivo do caso e passamos o dia analisando-o. Precisamos ter agilidade na investigação do caso, o que inclui a coleta dos exames. Verificamos se a pessoa que tem a suspeita realmente apresenta algum sintoma, se ela viajou, e, caso afirmativo, nós ligamos para o município de destino da pessoa, acionamos o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e vamos pessoalmente verificar a situação do suspeito da infecção”, esclarece a médica. Ela também coloca que a população deve colaborar com a diminuição dos mosquitos. “Estamos orientando e promovendo educação continuada aos colaboradores de todo o câmpus. Temos que dar o exemplo, mas combater o mosquito e diminuir os seus criadouros é um esforço coletivo que a população precisa compreender e incorporar”, argumenta Letícia.

Dengue, Zika e Febre Chikungunya: como identificar?

Para identificar a infecção por Zika vírus, Letícia diz que é importante analisar os sintomas, pois são bastante semelhantes nas três doenças. “Na maioria dos casos a infecção por Zika é assintomática. Apenas em 18% dos casos há manifestações clínicas, como: erupções cutâneas vermelhas na pele (exantema), febre, dor nas articulações (artralgia), dores musculares (mialgia), dor de cabeça e olhos vermelhos (hiperemia conjuntival). Os quadros clínicos das três doenças são semelhantes, sendo que na dengue há predominância de febre e dores muscular e ao redor dos olhos, enquanto que na febre Chikungunya os sintomas predominantes são as erupções cutâneas e inchaço. Quanto ao Zika vírus, os sintomas mais evidentes são erupções cutâneas e olhos vermelhos”, afirma.

Letícia termina ressaltando os cuidados que a população deve ter com a epidemia relacionada a essas três doenças e afirma que é importante entender que os cuidados para a gestante não diferem daqueles que as demais pessoas, sendo baseados em evitar a picada do Aedes. “Algumas ações são importantes, como o uso de repelente, telas de proteção, evitar viajar para áreas com casos da doença e, principalmente, evitar os criadouros próximos a residência, que é a melhor forma de prevenção. A pessoa com suspeita de qualquer uma das doenças transmitidas pelo Aedes deve ser incentivada a evitar deslocamento, pois o mosquito que ainda não está infectado pode picá-la e se tornar um transmissor da doença”, finaliza.

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