HCFMB promoveu encontro sobre Violência Sexual e Direito Reprodutivo da Mulher

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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) promoveu, nos dias 20 e 21 de julho, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), o simpósio “Cuidando da Mulher: Violência e Direito Reprodutivo”. Estiveram presentes médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, além de estudantes de graduação de diferentes cursos.

Evento discutiu temas importantes para os direitos da mulher e apresentou o protocolo de atendimento às vítimas de violência sexual

Participaram da mesa de abertura a vice-diretora da FMB, Prof. Maria Cristina Pereira Lima, o superintendente do HCFMB, Dr. André Balbi e Cristiane Chiloff, gerente multiprofissional da equipe de atendimento especializado às Vítimas de Violência Sexual (VVS) do HCFMB.  A organização do evento “Cuidando da Mulher: Violência e Direito Reprodutivo”, foi do Núcleo de Eventos Científicos do Departamento de Gestão de Atividades Acadêmicas (DGAA) do HCFMB.

No primeiro dia, a médica pediatra e professora da FMB/Unesp, Joelma Gonçalves Martin, que atua junto ao serviço de VVS, ministrou a palestra: “Conhecendo o Protocolo às Vítimas de Violência Sexual do HC”. “No Brasil, uma a cada quatro mulheres já sofreu violência em algum momento da vida e uma a cada quatro jovens sofre violência sexual antes dos 18 anos. Então, em 2005, foi implantado o protocolo de atendimento às vítimas de violência sexual aqui no HC. A centralização do atendimento desses casos é a melhor maneira de minimizar o sofrimento destas pacientes. Recebemos em média 76 casos por ano, a maioria deles, de meninas em torno dos 10 anos de idade”, relatou.

No segundo dia do simpósio, a professora da Universidade Federal de Campina Grande (PB) e da Pós-graduação do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP – Recife/PE), Melania Maria Ramos de Amorim, realizou uma conferência com o tema Direitos Reprodutivos da Mulher. “Nos países mais restritivos, 31% dos abortos são totalmente inseguros, o que leva a diversos problemas e muitas vezes à morte da paciente. O maior registro de mortes por abortos inseguros atinge as mulheres negras e pobres, já que, apesar de ser um procedimento ilegal no Brasil, mulheres da classe média/alta, possuem condições de pagar pelo aborto seguro em clínicas clandestinas”, explica.

A médica ginecologista e professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMB/Unesp, Vera Therezinha Medeiros Borges, explanou sobre como é realizado e quais as condições do Aborto Legal nas dependências do HCFMB. “Desde 1996, realizamos dois ou três casos de abortos por risco de vida materna. Além disso, também recebemos vítimas de violência sexual que engravidaram no ato. É muito difícil para uma mulher tomar a decisão de interromper a gravidez, e por isso, colocamos à disposição da paciente uma equipe multiprofissional para acompanhá-la durante todo o tratamento”, enfatizou.

Na oportunidade, Reinaldo Ayer de Oliveira, coordenador geral do Núcleo de Bioética do HCFMB, afirmou que é direito da mulher discutir sobre seus direitos reprodutivos. “Muitas mulheres vêm sendo perseguidas por lutarem por esta causa. Em nome da Sociedade Brasileira de Bioética, a discussão desse tema deve ser retirada da esfera política e ser debatido na esfera da saúde. Repudiamos veementemente toda e qualquer ameaça sofrida por pessoas que lutem pelos seus direitos”.

Sobre o Protocolo de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual do HCFMB – VVS

O HCFMB oferece atendimento especializado às vítimas de violência sexual e reúne nessa assistência diversos profissionais da área da saúde, como médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, além de contar com o apoio, quando necessário, da Delegacia da Mulher, do Instituto Médico Legal, Conselho Tutelar, Ministério Público e da Guarda Municipal. “Nossa equipe se dispõe a cuidar dessas vítimas e buscamos sempre aprimorar nossas habilidades para atendê-las da melhor maneira possível. Eventos como este são muito importantes para nós, pois podemos mostrar nosso trabalho a todo hospital e incentivar os alunos a se prepararem para estas situações”, explica Cristiane Chiloff, gerente multiprofissional do VVS.

 

Mariana Camargo – 4toques comunicação

 

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