O perigo de não conservar os alimentos da maneira adequada

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O gastroenterologista Nilton Carlos Machado (Núcleo de Comunicação HCFMB)

Nessa época do ano, existem muitas pessoas que reaproveitam as sobras da Ceia de Natal e Ano Novo para fazer novos pratos, evitando o desperdício da comida que sobrou após as festas , mas nem sempre conservam esses alimentos de maneira adequada. Por isso, é preciso cuidado para não sofrer um problema de saúde comum, causado por comidas conservadas de maneira inadequada: a intoxicação alimentar. Principalmente as crianças, que tendem a se desidratar mais facilmente, a intoxicação alimentar pode ter consequências graves.

Segundo Nilton Carlos Machado, Professor da disciplina de Gastroenterologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), as pessoas devem evitar comer alimentos sem que saibam sua procedência. “A intoxicação alimentar é um problema causado pelo consumo de alimentos contaminados por bactérias, fungos, vírus e outros micro-organismos ou pelas suas respectivas toxinas, sendo que as infecções por bactérias são a maioria dos casos. Os casos de intoxicação alimentar apresentam sintomas clínicos súbitos (pode começar em até 30 minutos após a ingestão) e na maioria das vezes são: náuseas, vômitos e diarreia. A desidratação e a dor abdominal também podem estar presentes. A intensidade dos sintomas vai depender de: quantidade de toxina ingerida, idade da pessoa intoxicada e a gravidade da toxina”, explica.

Para o médico, o estilo de vida moderno é o principal fator de interferência nas mudanças dos hábitos alimentares das crianças, pois hoje, os adultos oferecem alimentos processados, congelados ou embutidos para elas. “No verão, a temperatura ambiente é mais alta, e esse fator associado à maior possibilidade de se alimentar fora de casa (férias, passeios etc), favorece o consumo de alimentos de risco. As crianças são mais vulneráveis, pois os sintomas como vômitos e diarreia têm maior repercussão e mais chance de levar à desidratação do que nos adultos”, afirma.

O especialista alerta também sobre os perigos da famosa “farofa”, ou seja, a comida pronta que as pessoas são acostumadas a levar para a praia. Ele diz que especialmente esse tipo de alimento deve ser evitado, principalmente os que têm em sua composição ovos, maionese e carnes, que podem ser facilmente contaminadas, caso não sejam armazenadas adequadamente. Ele também alerta aquelas as pessoas que vão viajar e optam por levar alguns gêneros alimentícios comprados em sua cidade de origem. É preciso redobrar os cuidados relacionados com sua conservação e transporte, observando a temperatura de conservação dos alimentos (manter em baixa temperatura em isopor com gelo), manutenção da integridade das embalagens, tempo de transporte seguro (cuidado com viagens muito longas), utensílios utilizados para preparo e consumo dos alimentos durante e após a viagem (especialmente com a água usada para o seu preparo e limpeza).

O problema, para Machado, no que diz respeito às crianças, é que muitas vezes os pais não prestam atenção no tipo de comida que o filho está consumindo, preferindo a praticidade ao invés de se preocuparem com a qualidade. “Quanto às crianças, os pais ou responsáveis devem ter o cuidado de oferecer às crianças alimentos de procedência conhecida e confiável, de preferência bem cozidos, fritos em alta temperatura, evitando o consumo de peixes e frutos do mar”, decreta.

Dicas para evitar a intoxicação alimentar

O médico explica que a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu uma mensagem global de segurança alimentar, por meio de cinco regras-chave que promovem a saúde, chamadas de as Cinco Chaves para uma Alimentação mais Segura, que devem ajudar, inclusive, a evitar a contaminação dos alimentos:

1. Mantenha a limpeza;
2. Separe alimentos crus de alimentos cozidos;
3. Cozinhe bem os alimentos;
4. Mantenha os alimentos a temperaturas seguras;
5. Use água e matérias-primas seguras.

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